sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

                              As sagradas Águas de Òsàlà




"(...) Òsàlà então, após ter passado sete anos na prisão, é finalmente encontrado por Sàngó, que fica completamente estarrecido com a cena: o velho pai jogado, sem poder andar. O pai dos Òrìsà então diz: - não posso andar, me carregue nas costas. Então Sàngò determinou que na madrugada do dia seguinte todos os habitantes daquela cidade deveriam acordar de madrugada e, silenciosamente, cobertos de branco como aprazia a Òsàlà, se dirigissem a uma fonte nos arredores, portando vasilhas para recolher água límpida; de volta da fonte, um após outro deveriam honrar Òsàlà lavando-lhe os pés, em sinal de respeito, como ritual de purificação e expiação pela ofensa cometida." 


Essa é a parte final do mito, bastante conhecido, que retrata o nascimento das Águas de Òsàlà, verdadeiro ritual de purificação, de harmonização interior e de integração com as forças da natureza, representadas simbolicamente pelo maior de todos òrìsà: Òsàlà.
Considerado pai da Criação, outro mito narra como recebeu a incumbência do próprio Olodumarè (Deus em sua manifestação suprema) de criar a Terra e tudo o que nela existe, inclusive os seres humanos; de como humildemente consultou Ifá e ofereceu ebó composto de uma corrente, um caracol, uma galinha de cinco dedos, uma porção de terra do Orun ancestral, uma semente da palmeira de Ifá (òpefá eni) e um pombo todo branco, e como Olodumarè devolveu tais materiais para Òsàlà, acrescentando uma bolsa para contê-los (àpò-dídá), o poder da vontade (àbá) e o poder de realização (àsé); de como desceu através da corrente, derrubou sobre as águas a terra guardada na concha do caracol, soltou a galinha que espalhou a terra sobre as águas, e como finalmente o pombo levou de volta a notícia de que a terra estava firme e que a semente da palmeira havia brotado; e como após retornar para perto de Olodumarè, recebeu deste sementes de todas as árvores, a obrigação de criar os seres humanos, e o òpásóró,  cajado que representa autoridade e o poder de Òsàlà.
Outra história contada (provavelmente não tão antiga quanto as primeiras), narra como Òsàlà, tendo chegado primeiro (e sozinho) no mundo, precisou trabalhar duramente para colocar tudo em ordem antes da chegada das outras divindades; por conta disso sofreu uma queda, deslocou o ombro e passou a andar encurvado, apoiado em seu cajado.
Tais mitos e lendas passados de geração a geração deixam claro a antiguidade e a  senioridade de Òsàlà em relação ao mundo e tudo que existe e em comparação com outras divindades. Òsàlà é mais antigo, mais sábio, mais poderoso. Antigo, porque remonta ao tempo da Criação; mais sábio, porque velho, antigo, e antiguidade é posto; mais poderoso, porque recebeu do próprio Òlodumarè o poder de Realização através da Vontade.
Por tanto, você, omo-òrìsà, ao carregar sua quartinha com água, por três vezes, e levá-la para Òsàlà, lembre-se destas e de outras histórias sagradas que espelham o poder e a natureza desta divindade, pai de todos, por excelência. Lembre-se disso quando a água estiver sendo vertida em honra a Òsàlà; lembre-se disso quando sua cabeça estiver sendo lavada, purificada por essa mesma água; lembre-se disso quando finalmente depositar sua quartinha aos pés de Òsàlà, como oferenda, significando a própria condição de filho, simbolizando a esperança de que o Pai da Criação abençoe e guarde - não apenas a sua - mas sim a vida de cada ser humano sobre a face da Terra. 
lembre-se disso. Boa obrigação.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Amizade entre OSOSI e OSONYN

Quinta-feira.....
Ojo Odé.....ojo Agué....

Dia dos òlòdé....senhores da floresta.

Conta-se que Iemoja, mãe de três filhos, tinha em OSOSI (também chamado Odé, o caçador) seu maior cuidado e esperanças, já que, dos três, era o mais presente ao lado da mãe.
Iemoja era rígida, até mesmo autoritária; entretanto, Odé, embora procurasse entender as neuras da mãe, não era muito chegado em obedecer...(aliás, os filhos desse òrìsà até hoje tem problemas com obediência....rs).
Bem, OSOSI ia com frequência à floresta, e Iemoja ficava preocupada.
Certo dia ela acordou com um pressentimento ruim (pessoas de Iemoja até hoje são dadas a ter pressentimentos...), e proibiu o filho de ir caçar naquele dia.
A palavra mágica para os filhos de Odé é "não pode"...isso desperta neles o sentimento de independência e autossuficiência..... desobedecendo a mãe, ele foi caçar. Embrenhando-se na mata atrás de rastros de animais, pela primeira vez Odé se perdeu. Não conseguia achar a saída. Foi quando se deparou com Osonyn, velho feiticeiro que vivia recluso. Osonyn, enfraquecido, não tinha mais agilidade para caçar, procurar alimentos e  buscar folhas no interior da mata; ao ver o jovem caçador, ofereceu-lhe uma bebida de ervas. O rapaz aceitou, mas eram ervas que provocam o esquecimento (àmùnnìyé, "subtrai a consciência"). Pouco tempo depois, Odé já não conseguia lembrar-se de quem era, ou de que estava fazendo na floresta; ficou ali, então, morando ali com Osonyn, aprendendo segredos de folhas e ervas, aprendendo a compor remédios e feitiços. Em troca, buscava comida e caçava para manter a si mesmo e ao velho feiticeiro, Osonyn.
Passou-se muito tempo até que Ogun, a pedido de Iemoja, conseguiu rastrear o paradeiro do irmão, encontrá-lo e levá-lo para casa.
Contudo, ao receber o filho perdido, Iemoja - em vez de ficar feliz pelo retorno - ralhou muito com ele, por conta da desobediência. Isso irritou muito Odé que, já homem feito, percebeu que a casa era a prisão, e o mato a liberdade, coisa que muito prezava.
Virando as costas, dirigiu-se novamente à mata, de onde nunca mais retornou.
O senso de liberdade e independência que os filhos de OSOSI possuem pode levá-los a aventuras perigosas, mas certamente os ajuda a crescer e amadurecer.
Nunca se diga que Odé e Osonyn foram amantes ...
Eles foram amigos, companheiros do mato. Essa amizade deu estabilidade para o velho feiticeiro, e contribuiu para o aprendizado e amadurecimento do jovem caçador.
Tudo na vida é baseado nisso, em TROCAS, nas quais perde-se de um lado mas ganha-se de outro.
Até mesmo as relações entre os diversos planos da existência (os nove orún) essa relação de troca permanece viva.
Esse é o princípio que norteia a ideia de ebó (oferenda), a permuta entre o material e o espiritual, entre os seres humanos e as divindades.
Toda evolução tem um preço a ser pago....e dinheiro, nesse sentido, não é moeda de troca, apenas a dedicação, o esforço, a perseverança, a responsabilidade e merecimento, somente tais virtudes podem acionar a recompensa do Céu.
Atenha-se a tal verdade, na hora em que se dispuser a preparar uma receita, encanto ou magia que, necessariamente, dependem da aprovação e determinação dos habitantes do Orun Ancestral, sejam antepassados ou divindades.

Odé Ólóbúròdè abençoe a cada um, nesta manhã..

Aşé o...

domingo, 5 de janeiro de 2014

A você . . .

A você . . . 

que não é capaz de ouvir com humildade quando seu zelador o corrige por algum motivo . . .
que não é capaz de entender porque a hierarquia do candomblé é tão complexa e necessária . . .
que não é capaz de olhar para seu égbón com olhos de compreensão, quando este tem atitudes equivocadas quanto a você . . . 
que não é capaz de compreender a atitude de seu abúró, quando pela inexperiência comete algum erro . . .
que não é capaz de entender porque os ancestrais deixaram regras que no presente se tornaram aparentemente obsoletas . . .
que não é capaz de honrar o nome dos ancestrais da sua família, embora invoque o nome deles em todos os momentos do fazer religioso . . .
que não é capaz de silenciar quando sua própria opinião é diferente da de seu zelador, e sai bradando aos quatro ventos que você está certo e seu zelador está errado, mas não tem coragem de dizer isso diretamente  a ele . . .
que não sabe diferenciar um ekó de um ekuru, mas tem a pretensão de querer mandar no seu mais novo . . .
que mal nasceu dentro da religião, e mesmo assim já se dá ao desfrute de reclamar e falar, de tudo e de todos . . .
que se esqueceu de que a primeira lição do roncó é a humildade e a aceitação . . .
que se acha melhor ou mais capacitado de enxergar o certo e o errado dentro da Casa de Santo e entre os irmãos de santo, e se acha dono-da-verdade  . . .
que deixou seu cargo ou posição subir à cabeça, esquecendo-se de que o representante do òrìsà na Casa é o Zelador, e que os demais aceitaram o convite para auxiliar nessa tarefa . . .
que subiu no topo da própria arrogância e se afastou da Comunidade, abandonando suas funções e deixando um espaço vazio que acaba afetando a todos, esquecendo-se de que o mais importante é a Comunidade em si e não os interesses pessoais . . . 
enfim, a você que se considera o máximo: preste atenção ao recado do Céu -
ninguém é melhor do que ninguém....
òrìsà não se deixa comprar ou vender, nem tem preferidos, nem compactua com injustiça...
a Comunidade é feita da junção de pessoas que entendam esse propósito e já estejam suficientemente maduras para abraçar essa causa...
que a causa do òrìsà é levantar a bandeira da humanidade, solidariedade e fraternidade entre as pessoas, fazendo do mundo um lugar melhor para se viver...

enfim, saiba que se você não precisa do òrìsà,
o òrìsà e a Comunidade também não precisam de você.
Faça um bem a si mesmo e aos outros: continue cuidando e se importando apenas com sua vidinha insignificante, até que IKU venha buscá-lo de volta para o Òrún, onde poderá refletir sobre o próprio egoísmo e clamar por uma nova oportunidade no mundo.
 A Comunidade que é a Casa de Candomblé precisa de pessoas que se importem com o bem do próximo, e coloquem esse ideal acima das vontades pessoais, mesquinhas e egoístas.
Faça um favor a si mesmo e à Comunidade: pare de representar o que não é de verdade e fique em casa, onde certamente não vai atrapalhar ninguém que tem fé no Òrìsà e boa-vontade para com a Casa e os irmãos.

Ase o

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

2014 - Ano para atender as diretrizes do Céu


2014 – O Céu envia diretrizes – devemos ouvir com atenção

        Em 2014 o odu Obaragbé estará regendo a comunidade do do Ilé Alaketu Asé Omo Logunèdé. Como advertência, o odu anuncia: “grande respeito e poder para aquele que ouvir as orientações do Céu.” Este caminho aconselha determinação em todas as áreas da vida como condição para superar as dificuldades e obter vitórias. Determina que se tome cuidado com atitudes de revolta ou violência diante das vicissitudes. Autoconhecimento e autocontrole serão tremendamente necessários. Atitudes de ceticismo ou descrença acabam bloqueando o sucesso – necessário construir e exercitar a fé, como veículo poderoso de superação. Vícios devem ser abandonados definitivamente, principalmente os relacionados à bebida, drogas, jogo, sexo  irresponsável. A primeira atitude de respeito e cuidado é para como o próprio corpo, limites e necessidades. Pede responsabilidade, a qual conduz à transformação interna e externa. Usar de bom senso nas relações interpessoais e refletir antes de tomar atitudes extremadas. Buscar sempre e também atender as orientações que vem do Céu, seja através de sonhos, de intuições, consultas aos búzios ou outros meios esotéricos, ou até mesmo através da boca de outras pessoas, principalmente as falas que acontecem espontaneamente. O Céu procura sempre orientar as pessoas de todas as formas possíveis quanto à consecução do destino de cada um; cabe aos seres humanos se fazerem mais sensíveis aos apelos divinos. Preste mais atenção.
     Ano para pagar dívidas - sejam financeiras, morais ou até mesmo espirituais. Por sua vez, a ancestralidade estará prestando muita atenção na atitude dos descendentes: não envergonhe seu ancestre, seja ele vivo ou morto, consanguíneo ou espiritual. Procure honrá-lo sempre, nas suas atitudes, nas suas palavras, na sua devoção, na sua maneira de caminhar no mundo. Viva com dignidade, não atire pedras no telhado do vizinho mesmo que o seu seja de rocha pura, tampouco fale da vida alheia, por mais no direito de que você se ache imbuído ao fazê-lo: o certo e o errado são avaliados no Céu, não aqui na terra, e os juízes são divinos, não outros seres humanos, também cheios de falhas.
         Utilize a fala com responsabilidade - neste ano, as pessoas poderão ficar famosas por suas falas, ou sofrer as consequências de falas mal-ditas ou mal-intencionadas, fruto da maldade ou da arrogância. Ninguém é dono da verdade, mas a Verdade é o prisma utilizado para julgar cada um - e esse julgamento é o do Céu.
          Comece o ano já com o firme propósito de regenerar-se, de transformar a si mesmo em alguém melhor, mais humano, mais verdadeiro. Faça caminhadas, ria muito, louve a vida e as bençãos do Céu. Procure honrar os ancestrais, falando sempre a verdade, abençoando a tudo e a todos à sua volta - sem exceção, inclusive àquela pessoa que te ofendeu ou magoou de algum modo, e se não puder lançar uma benção ou dizer uma boa palavra a respeito de tal pessoa, então abstenha-se de qualquer comentário, seja caridoso e fique calado. Lembre-se, os Céus estarão de olhos e ouvidos atentos, especialmente os filhos de òrìsà, pois que Sangó, e a mãe da vida e da morte, Oya, estão vindo com o firme propósito de renovação e justiça: clame sempre por misericórdia - mas para merecer, aja você também com misericórdia em relação aos seus irmãos.
     Que o Patrono de nossa comunidade, òrìsà Loguneedé, que caminha no mesmo caminho, também possa brindar a cada um com suas bençãos de entendimento, de equilíbrio, de respeito, de amor e fraternidade, todos os dias do ano que se inicia, e cubra cada filho, neto, bisneto, enfim, cada descendente, com sua luz.
          Feliz Novo Ano! Ase o!

Bàbálòrìsà Nivaldo de Logunèdé


domingo, 11 de agosto de 2013

Pais e Filhos


      Aprendemos no candomblé - "quem não é bom filho dificilmente será bom pai" . . .      Embora tal máxima contenha muita sabedoria, não é muito prudente generalizar.O que é ser bom filho?
 É obedecer ao pai em todos os momentos ou circunstâncias da vida?                                    É aconselhar-se frequentemente para não errar?                                                                    É seguir em tudo o exemplo do pai?                                                                                          É ser a cópia fiel . . .                                                                                                                       Bem, em se tratando de pai carnal, não pude fazer nada disso - meu pai voltou ao orún ancestral quando eu tinha 7 anos de idade: tudo o que pude fazer é honrar sua memória. Quanto ao meu pai de santo, tenho convivido com ele já há 33 anos; posso afirmar que o conheço razoavelmente bem, que o admiro, que busco sua palavra quando necessito e que procuro estar próximo a ele, sempre que possível - mas isso tudo não retrata a condição de ser bom filho.O que pesa de verdade é o respeito e a atitude, mesmo à distância. É a certeza de que ele está lá, cada vez que eu precisar - e mesmo que não precise, ainda assim ele estará lá, por mim e para mim, assim como eu para ele. Da mesma forma, tenho certeza de que meu genitor olha por mim e me cuida, mesmo estando no orún, junto com os ancestrais. Acrescento outra coisa digna de nota: por ser assim com relação aos meus pais, procuro ser assim com relação aos meus filhos. É fato que nem sempre é possível estar fisicamente com todos, mas é importante todos saberem que estou aqui, e aqui estarei enquanto Olodumare permitir, e também além, se me fizer digno da companhia de meus ancestrais. Honrar o pai dignifica o filho; honrar o filho enobrece o pai.                              A todos que se lembraram de mim neste dia, e aos meus pais, e aos meus filhos, com todo carinho.

terça-feira, 28 de maio de 2013

O sol brilha na montanha! Oké Aró!



          Noite de sábado, 25 de maio, 22hs. Eu, acompanhado de Aparecida Isabel dos Santos (Iyálasé Cidinha de Osun), Egbón Alessandra de Nana (Agbáíngéná) e Ekejí Mari de Oya cheguei nas dependências do Egbé  Lajô - casa de minha filha espiritual Mãe Rose de Osun - para o candomblé em honra ao òrìsà de seu filho carnal, também bàbálòrisà daquela Casa, Babá Diego de Odé.
           A noite fria não impediu que dezenas de pessoas entre filhos ,amigos, parentes e seguidores daquele templo acorressem para prestigiar o Rei de Ketu, Osósí, que se fez presente na cabeça de seu filho - em comunhão através do transe sagrado - para receber e abençoar a todos os fiéis.
           Osósí, primorosamente vestido, encantou com seu porte majestoso e seus passos vigorosos, abraçando a todos, reerguendo vontades enfraquecidas, reafirmando vínculos com os seres humanos e algumas pessoas em especial, doando de seu Asé de prosperidade, força e abundância.
           Pela quantidade de pessoas ali presentes, entre elas diversos bábálòrìsà e iyálòrìsá de tradições diferentes e diferentes graus hierárquicos, pudemos constatar na atitude de Babá Diego uma verdade antiga que sempre temos ouvido da boca dos mais velhos: "no candomblé o importante é construir amizades...". Deste ensinamento obviamente esse jovem sacerdote sorveu a essência e tem sabido transformar em realidade pela simpatia, humildade, atenção e carinho com que trata a todos, indistintamente.
           Parabéns a Babá Diego, a minha filha Rose de Osun e a todos que compõem a família daquela Casa cinquentenária. Parabéns também a Oni Douglas de Sango, que responsável e brilhantemente soube conduzir a cerimônia, bem como aos ogá que ali estavam presentes.
           Fica a lição - também antiga, mas sempre presente: o que faz o candomblé é o ajó, a união, a irmandade.

Bàbálòrìsà Nivaldo de Logunèdé
               A família real de Oyó veio ao mundo mais uma vez

               No dia 18 de maio o Ilé Alaketu Asé Omo Logunédé realizou as festividades em honra a Sangó, Oya, Oba e  Iroko em Sorocaba.Foram semanas de obrigações e atividades preparatórias que envolveram toda a Comunidade, num fazer verdadeiramente diuturno.
              Para abençoar o esforço de todos, os òrìsá homenageados se fizeram presentes na cerimônia pública, vindo trazer a cada um seu abraço portador de asé, vindo distribuir seus alimentos sagrados como forma de sustentação e reposição de energias para a continuidade das batalhas e superação das agruras do dia-a-dia, vindo, enfim, com sua simples presença, abençoar seus descendentes e a todos aqueles que ali acorreram para prestigiá-los, pois que é dito e sabido que onde dois ou mais se reunirem com propósito, ali estará a graça Divina.
              Alguns podem ter estranhado a citação anterior; cabe aqui um pequeno esclarecimento. Como sacerdote, considero toda Fala proveniente do Céu como mensagem para a Humanidade, portadora de verdade, independente do livro ou texto sagrado em que esteja inserida ou da língua na qual tenha sido proferida. Os caminhos são diversos, mas Deus é um só.
              Só me resta agradecer o empenho e dedicação dos oloye, egbon, ekeji, oga, iyawo, filhos, netos, bisnetos do Asé, que estiveram presentes não só nas festividades bem como nos preparativos e obrigações internas realizadas anteriormente; e também aqueles que se encarregaram de colocar a casa em ordem nos dias que se seguiram à festa.
               Agradeço também a comunidade expandida, na forma de crentes e adeptos dos òrìsá, filhos de outras casas e outras famílias, bem como simpatizantes, que estiveram presentes nas dependências do Ilé Asé, particularmente à Mãe Ofá lá de São Roque, amiga de longa data, que honrou-nos uma vez mais com sua visita e sua simpatia.
               Por último - mas em primeiríssimo lugar no coração de nossa comunidade - agradeço ao meu bàbálòrìsá, Wladimir de Carvalho (Pai Kabila de Ososi) que surpreendeu a todos com sua presença inesperada, por conta de ter havido uma brecha na sua agenda apertada e ter ele resolvido preenchê-la vindo trazer suas bençãos à nossa Casa. Ao senhor, meu pai, adúpè.
               Que Sangó e sua família lance sobre todos bençãos de luz, força e prosperidade, guardando a cada um sob a proteção poderosa de seu Osé.  Asé o!