Quinta-feira.....
Ojo Odé.....ojo Agué....
Dia dos òlòdé....senhores da floresta.
Conta-se que Iemoja, mãe de três filhos, tinha em OSOSI (também chamado Odé, o caçador) seu maior cuidado e esperanças, já que, dos três, era o mais presente ao lado da mãe.
Iemoja era rígida, até mesmo autoritária; entretanto, Odé, embora procurasse entender as neuras da mãe, não era muito chegado em obedecer...(aliás, os filhos desse òrìsà até hoje tem problemas com obediência....rs).
Bem, OSOSI ia com frequência à floresta, e Iemoja ficava preocupada.
Certo dia ela acordou com um pressentimento ruim (pessoas de Iemoja até hoje são dadas a ter pressentimentos...), e proibiu o filho de ir caçar naquele dia.
A palavra mágica para os filhos de Odé é "não pode"...isso desperta neles o sentimento de independência e autossuficiência..... desobedecendo a mãe, ele foi caçar. Embrenhando-se na mata atrás de rastros de animais, pela primeira vez Odé se perdeu. Não conseguia achar a saída. Foi quando se deparou com Osonyn, velho feiticeiro que vivia recluso. Osonyn, enfraquecido, não tinha mais agilidade para caçar, procurar alimentos e buscar folhas no interior da mata; ao ver o jovem caçador, ofereceu-lhe uma bebida de ervas. O rapaz aceitou, mas eram ervas que provocam o esquecimento (àmùnnìyé, "subtrai a consciência"). Pouco tempo depois, Odé já não conseguia lembrar-se de quem era, ou de que estava fazendo na floresta; ficou ali, então, morando ali com Osonyn, aprendendo segredos de folhas e ervas, aprendendo a compor remédios e feitiços. Em troca, buscava comida e caçava para manter a si mesmo e ao velho feiticeiro, Osonyn.
Passou-se muito tempo até que Ogun, a pedido de Iemoja, conseguiu rastrear o paradeiro do irmão, encontrá-lo e levá-lo para casa.
Contudo, ao receber o filho perdido, Iemoja - em vez de ficar feliz pelo retorno - ralhou muito com ele, por conta da desobediência. Isso irritou muito Odé que, já homem feito, percebeu que a casa era a prisão, e o mato a liberdade, coisa que muito prezava.
Virando as costas, dirigiu-se novamente à mata, de onde nunca mais retornou.
O senso de liberdade e independência que os filhos de OSOSI possuem pode levá-los a aventuras perigosas, mas certamente os ajuda a crescer e amadurecer.
Nunca se diga que Odé e Osonyn foram amantes ...
Eles foram amigos, companheiros do mato. Essa amizade deu estabilidade para o velho feiticeiro, e contribuiu para o aprendizado e amadurecimento do jovem caçador.
Tudo na vida é baseado nisso, em TROCAS, nas quais perde-se de um lado mas ganha-se de outro.
Até mesmo as relações entre os diversos planos da existência (os nove orún) essa relação de troca permanece viva.
Esse é o princípio que norteia a ideia de ebó (oferenda), a permuta entre o material e o espiritual, entre os seres humanos e as divindades.
Toda evolução tem um preço a ser pago....e dinheiro, nesse sentido, não é moeda de troca, apenas a dedicação, o esforço, a perseverança, a responsabilidade e merecimento, somente tais virtudes podem acionar a recompensa do Céu.
Atenha-se a tal verdade, na hora em que se dispuser a preparar uma receita, encanto ou magia que, necessariamente, dependem da aprovação e determinação dos habitantes do Orun Ancestral, sejam antepassados ou divindades.
Odé Ólóbúròdè abençoe a cada um, nesta manhã..
Aşé o...


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário ou sugestão. A comunidade Agradece.