Aprendemos
no candomblé - "quem não é bom filho dificilmente será bom pai" . . . Embora tal máxima contenha muita sabedoria, não é muito prudente
generalizar.O que é ser bom filho?
É obedecer ao pai em todos os
momentos ou circunstâncias da vida? É aconselhar-se frequentemente para
não errar? É seguir em tudo o exemplo do pai? É ser a cópia fiel . . . Bem, em se tratando de pai carnal, não pude fazer nada disso - meu pai
voltou ao orún ancestral quando eu tinha 7 anos de idade: tudo o que
pude fazer é honrar sua memória. Quanto ao meu pai de santo, tenho
convivido com ele já há 33 anos; posso afirmar que o conheço
razoavelmente bem, que o admiro, que busco sua palavra quando necessito e
que procuro estar próximo a ele, sempre que possível - mas isso tudo
não retrata a condição de ser bom filho.O que pesa de verdade é o
respeito e a atitude, mesmo à distância. É a certeza de que ele está lá,
cada vez que eu precisar - e mesmo que não precise, ainda assim ele
estará lá, por mim e para mim, assim como eu para ele. Da mesma forma,
tenho certeza de que meu genitor olha por mim e me cuida, mesmo estando
no orún, junto com os ancestrais. Acrescento outra coisa digna de nota:
por ser assim com relação aos meus pais, procuro ser assim com relação
aos meus filhos. É fato que nem sempre é possível estar fisicamente com
todos, mas é importante todos saberem que estou aqui, e aqui estarei
enquanto Olodumare permitir, e também além, se me fizer digno da
companhia de meus ancestrais. Honrar o pai dignifica o filho; honrar o
filho enobrece o pai. A todos que se lembraram de mim neste dia, e aos
meus pais, e aos meus filhos, com todo carinho.

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